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Achintya

Porque há coisas que não se explicam, sentem-se intensamente

Porque há coisas que não se explicam, sentem-se intensamente

Achintya

23
Jan18

O bilhete na aula

kamini

Estava inquieta e curiosa, aquela aula parecia interminável! Olhou para o colega numa tentativa absurda de perceber se Ele teria tido algum tipo de curiosidade na sua modesta pessoa. Tentou concentrar-se e prestar atenção à aula, dizendo a si mesma "És uma miúda no meio de tantas, achas que alguma vez ele reparava em ti?" Quando finalmente se concentrou na voz do professor, foi sobressaltada por um objeto voador que aterrou na sua mesa. Apanhou-o discretamente e tentou desenrolar o que aparentava ser uma simples folha amassada, comprimida numa bola. Incrédula, percebeu que Ele lhe tinha enviado um bilhete. Afinal, a sua imaginação, não estava a pregar-lhe nenhuma partida! Ele tinha reparado Nela...

18
Jan18

A Minha Dor

kamini

 

A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.

 

Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal …
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias …

 

A minha Dor é um convento. Há lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!

 

Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve … ninguém vê … ninguém …

 

 

Florbela Espanca

17
Jan18

Esta Velha Angústia

kamini

 

Esta velha angústia, 
Esta angústia que trago há séculos em mim, 
Transbordou da vasilha, 
Em lágrimas, em grandes imaginações, 
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror, 
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum. 

Transbordou. 
Mal sei como conduzir-me na vida 
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma! 
Se ao menos endoidecesse deveras! 
Mas não: é este estar entre, 
Este quase, 
Este poder ser que..., 
Isto. 

Um internado num manicômio é, ao menos, alguém, 
Eu sou um internado num manicômio sem manicômio. 
Estou doido a frio, 
Estou lúcido e louco, 
Estou alheio a tudo e igual a todos: 
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura 
Porque não são sonhos. 
Estou assim... 

Pobre velha casa da minha infância perdida! 
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto! 
Que é do teu menino? Está maluco. 
Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano? 
Está maluco. 
Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou. 

Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer! 
Por exemplo, por aquele manipanso 
Que havia em casa, lá nessa, trazido de África. 
Era feiíssimo, era grotesco, 
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê. 
Se eu pudesse crer num manipanso qualquer — 
Júpiter, Jeová, a Humanidade — 
Qualquer serviria, 
Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo? 

Estala, coração de vidro pintado! 

Álvaro de Campos, in "Poemas" 
Heterónimo de Fernando Pessoa 

16
Jan18

Vencida...não rendida!

kamini

Pois, ainda não me rendi à moda das máquinas de café de cápsulas! Apesar de ter uma, uma oferta simpática de um familiar no natal de há uns bons anos atrás. Percebo as marcas, oferecem as máquinas na compra de umas caixas de café...depois... haverá sempre café para comprar. Só que, aqui em casa, não...

Continuei a usar a minha companheira das últimas duas décadas, salvo umas raras exceções (normalmente na presença de quem a ofereceu ). A verdade é que gosto mais....e....fica muito mais barato!

A velhinha avariou, cada vez é mais difícil arranjar peças, mas não vou desistir!

Entretanto...veio a moda à cidade...Pedi ao Marido para comprar mais café! Ligou-me, com uma vez a roçar o desespero, no meio de tanta oferta...não encontrava café, só café!? 

Já agora, podiam inventar um cafezinho de bacalhau com natas! Era dois em um, talvez eu ficasse satisfeita só com o aroma e poupasse as calorias   

 

 

 

15
Jan18

Eu, não senti o sismo

kamini

 O marido veio almoçar a casa e perguntou-me: Sentiste o sismo?

Eu: Não me apercebi, quando?

Ele: Antes do meio dia, sentiu-se em quase todo o país. Até em Aveiro partiu loiça!

Eu: Ontem, também houve loiça partida cá em casa e não foi nenhum sismo...

Ele ( sem achar piada): O prato bateu na banca, não tive culpa! Até parece que nunca partes nada...

Eu: Calma, só estava a brincar...

 

Eu sei que não se brinca com estas coisas, mas na hora não resisti a provocar o homem!

 

Felizmente, parece que não houve danos!

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